quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Neymar é o sexto jogador mais valioso do mundo, aponta estudo

Neymar, Santos (Foto: Alex Silva / Agência Estado) O atacante Neymar, do Santos, é o sexto jogador mais valioso do mundo em 2012, com valor de mercado de R$ 151,3 milhões, segundo um estudo feito pela empresa de consultoria "Pluri". Messi, do Barcelona (R$ 385 mi) lidera a lista, seguido de Cristiano Ronaldo (R$ 264,8), Iniesta (R$188,1 mi), Rooney (R$ 165,6 mi) e Falcao García (R$ 154,3 mi).

Entre os 20 mais valiosos aparecem os brasileiros Thiago Silva, 14º com valor de mercado de R$ 111,4 milhões, e Hulk, 16º com R$ 108,4 milhões. Também figuram na lista dos 60 Lucas Moura, do São Paulo (25º/R$ 102, 6 mi), Oscar, do Chelsea (35º/R$ 91 mi), Ramires, também dos Blues (39º/R$ 88 mi), Marcelo, do Real Madrid (41º/R$ 86,6 mi) e Daniel Alves, do Barcelona (50º/R$ 79,8 mi).

O jogador que mais ganhou posições foi Falcao García, que subiu da 40ª para a 5ª posição. Neymar manteve o posto do ano passado, perdendo uma colocação para o colombiano, mas se recuperando ao superar Cesc Fàbregas, do Barcelona. A Espanha é o país que mais cedeu jogadores ao ranking, com 14. O Brasil é o segundo com oito atletas, seguido da Argentina, com sete.

Guerrero treina normalmente e anima médico: 'Expectativa é muito positiva'

Guerrero treino Corinthians (Foto: Marcos Ribolli / Globoesporte.com) Paolo Guerrero está cada vez mais próximo de participar da estreia do Corinthians no Mundial de Clubes, dia 12 de dezembro, em Toyota, no Japão.
 Em recuperação de um problema no joelho direito, o jogador participou normalmente do treino desta sexta-feira, no Wave Stadium, em Kariya, e aumentou as chances de estar na partida contra Hiroshima ou Al Ahly.

– A expectativa é muito grande e positiva. A recuperação está até um pouco melhor do que imaginávamos – afirmou o médico Júlio Stancati.

Depois de fazer atividades com a fisioterapia nos últimos dias, incluindo no voo de São Paulo a Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, o peruano deu um passo a mais no processo de recuperação. Ele participou sem restrições do “bobinho” e de todo o restante do aquecimento do elenco no gramado.

Em seguida, voltou a ficar sob os cuidados do fisioterapeuta Bruno Mazziotti em uma parte separada do gramado. O atacante fez uma série de atividades com bola para fortalecer o joelho direito, lesionado no último domingo, na derrota do Timão por 3 a 1 para o rival São Paulo, no Pacaembu.
Guerrero treino Corinthians (Foto: Marcos Ribolli / Globoesporte.com) 

Quando parecia que não participaria mais do restante da atividade, Guerrero voltou ao gramado para atuar normalmente da segunda parte dos trabalhos táticos ao lado dos demais companheiros, em treino comandado pelo técnico Tite.

Apesar do retorno, o grande teste do peruano será no sábado. A comissão técnica planeja colocá-lo novamente em um treino tático com o restante do grupo antes de definir a escalação. Caso não sinta dores no local, estará praticamente confirmado na estreia. Tite tem ainda Jorge Henrique, Romarinho e opções para a vaga ao lado de Emerson.

– Resta uma dúvida porque ele precisa de um treino com mais chute, o que pode sensibilizar o local. Vamos ver como ele se sairá no sábado – disse o médico.

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Guerrero treino Corinthians (Foto: Marcos Ribolli / Globoesporte.com)

Ensaio para inauguração da Arena emociona gremistas: 'Parece teatro'

Só falta a bola rolar. O bairro Humaitá, na zona norte de Porto Alegre, entrou de vez no clima da inauguração da Arena. Nesta sexta-feira, o ensaio geral do show da abertura movimentou a região.

A direção da Arena disponibilizou ingressos para a asssociação de moradores do bairro, que os distribuiu entre os populares. Cerca de 5 mil estiveram no interior do estádio, acompanhando o ensaio do espetáculo, previsto para começar às 20h de sábado, antes do amistoso entre Grêmio e Hamburgo. Os moradores do Humaitá foram acomodados nas luxuosas Cadeiras Gold e, das 19h45m até as 21h, curtiram várias atrações. O grupo musical do narrador da Rádio Gaúcha Pedro Ernesto tocou algumas canções. Um conjunto de pagode também animou a plateia, com mais duas músicas. Houve até sorteio de ingressos para a inauguração.

arena inauguração ensaio grêmio (Foto: Bruna Melgarejo/ Arquivo Pessoal)Imagem mostra início do ensaio (Foto: Bruna Melgarejo/ Arquivo Pessoal)
 
Além das atrações pontuais para os moradores, imperou, claro, a preocupação com os ajustes da festa. Depois das 21h, seguiu o ensaio a pleno vapor. Canhões de luz foram testados, os hinos Nacional e do Grêmio, executados, bem como se procurou cuidar o tempo de cada atração do show e os intervalos para os fogos de artifício (serão cinco baterias intercaladas duante uma hora e cinco minutos de espetáculo).

- Foi muito lindo. Não parece um estádio. Parece um teatro, algo parecido. É diferente de tudo que estávamos acostumados - relata Sirlei Oliveira, 58 anos.

- Impressionante como a gente fica pertinho do campo - elogia Linomar Benites, 59 anos, que promoveu uma caminhada de 630 quilômetros de Uruguaiana até a capital gaúcha.
Do lado de fora do estádio, como se fosse um dia de jogo, havia muita movimentação, pessoas circulando, animadas, entoando cânticos do Grêmio e, claro, os que tentaram lucrar com o evento, como os vendedores de bebidas, que chegavam a esconder o produto dentro de veículos, contra a fiscalização.
Também se destacavam os operários. E não por fazerem parte do show. Pelo contrário. Em ritmo intenso, eles e suas ruidosas máquinas seguiam no trabalho de ajustes da obra, que corre contra o tempo para entregar o estádio em plenas condições no sábado.
grêmio arena moradores humaitá ensaio geral (Foto: Wesley Santos/Pressdigital)

São-paulinos reclamam de jogo desleal e prometem resposta na bola


Os jogadores do São Paulo foram unânimes no desembarque da equipe, nesta quinta-feira, ao comentarem o empate por 0 a 0 com o Tigre: todos ficaram revoltados com a “catimba” apresentada pelo time argentino na Bombonera. Entre as inúmeras confusões, Luis Fabiano acabou expulso, e outros três jogadores do Tricolor receberam cartão amarelo. Para o jogo de volta, no Morumbi, a promessa é de devolver “na bola” e ficar com o título da Copa Sul-Americana.

– Eles (jogadores do Tigre) foram desleais o jogo inteiro, batendo, dando pontapé. Mas tudo bem, isso é normal. No jogo de volta o estádio vai estar cheio e vamos sair campeões. É um título inédito e precisamos ganhar de qualquer forma. Ficamos tristes, porque os caras estavam cuspindo, dando tapa na cara, e você tem de ficar quieto. Vamos mostrar na bola – afirmou o volante Denilson.

Mesmo os jogadores considerados mais calmos no elenco acabaram se irritando. O zagueiro Rafael Toloi, que raramente se envolve em confusões, teve de ser contido pelo companheiro de zaga, Rhodolfo, após discussão com o atacante Maggiolo. Alertados pelo técnico Ney Franco tanto antes quanto no intervalo da partida, os tricolores prometeram maior cautela no jogo de volta, já que qualquer deslize pode ser fatal.

– O jogo deles é esse. É chegar firme, até na maldade. Temos de saber levar isso, não cair na pressão e nos comportarmos bem. Não conseguimos o melhor resultado, mas o empate não está de todo ruim. Agora é dar a vida no jogo de volta. O Toloi comentou comigo que levou vários tapas. O jogo deles é de muita pegada, de tapa no rosto, braço para todo lado. Temos de manter a calma, senão será pior - completou Rhodolfo.

Osvaldo, atacante do São Paulo (Foto: Rodrigo Faber / Globoesporte.com)

O atacante Osvaldo, que chegou a postar no Instagram uma foto de sua perna, bastante machucada, voltou a reclamar da violência. Em rápido contato com a imprensa após o desembarque, o jogador alertou sobre a provável postura do Tigre no jogo de volta, disse ainda estar com dores e reclamou da passividade do juiz paraguaio, Antonio Arias.

– O árbitro deixou o jogo correr, e eles davam pontapé sem bola. Mas esse é o jogo dos argentinos. Não podemos entrar na catimba, porque eles vão tentar achar um gol no Morumbi. Minhas pernas estão doendo bastante. Agora é descansar.

Sem Luis Fabiano, seu maior goleador da temporada, com 31 gols marcados, o São Paulo faz seu último jogo de 2012 na próxima quarta-feira, às 22h, no estádio do Morumbi. A equipe depende de uma vitória simples sobre o Tigre para conquistar o título da Sul-Americana. Como a vaga na Libertadores do próximo ano já foi garantida através do Brasileirão, a novidade será enfrentar o rival Corinthians na Recopa de 2013.

Marcos ‘assume’ profecia sobre o Timão: ‘Pode pôr na minha conta’

Marcos, Palmeiras (Foto: Diego Ribeiro / Globoesporte.com) Logo depois que o Palmeiras caiu para a Série B do Campeonato Brasileiro pela segunda vez, uma suposta frase dita pelo goleiro Marcos começou a ser disseminada: “O Palmeiras só cai de novo quando o Corinthians ganhar a Libertadores”. Ela teria sido dita em 2003, logo após o título da Segunda Divisão conquistado pelo clube alviverde.

Com os dois fatos se confirmando em 2012, o “Santo” ganhou fama de profeta. Ele afirma, porém, não lembrar se é ou não o autor da bravata. Nesta quinta-feira, em entrevista na Academia de Futebol, o ídolo resolveu, porém, assumir a bronca.

– Não me lembro de ter falado isso, pelo amor de Deus! Mas não posso dizer que não falei (risos). Realmente não lembro. Mas, agora eu passo na rua e me chamam de profeta, então pode colocar na minha conta porque isso não vai mudar nada – brincou Marcos.

No primeiro ano de aposentadoria do futebol, o ex-goleiro comemorou um título da Copa do Brasil, mas ficou chateado com a nova queda para a Série B. Enquanto isso, viu o rival vencer a Libertadores e se credenciar para a disputa do Mundial de Clubes, no Japão. Marcos vai torcer contra o Corinthians, claro, mas disse que o clube alvinegro tem boas chances de levantar a taça.

– O Corinthians merece disputar a final do Mundial. Claro que não vou torcer, eles nem precisam, já que têm uns 30 milhões de torcedores. Que vença o melhor. Acredito que teriam dificuldades se pegassem o Barcelona, mas têm condições de ganhar do Chelsea. Se o Corinthians ganhar, vou deixar meu celular desligado por um mês. Se o Chelsea ganhar, nada muda na minha vida – analisou o “Santo”.

Ronaldo joga a despedida

O Corinthians foi assunto da entrevista coletiva desta quinta-feira, a última antes do jogo de despedida de Marcos, dia 11 de dezembro, às 22h (horário de Brasília), no Pacaembu. O “Santo” tem realizado treinos leves para entrar em campo com uma forma razoável, mas na última atividade mostrou que não se esqueceu do antigo ofício. Em desafio com vários jornalistas, Marcos aceitou cobranças de todos os presentes na Academia de Futebol e só tomou três gols. A cada batida, ele não escondia os risos e brincava com os “adversários”.

Também nesta quinta, boa parte da lista de jogadores que vão participar do duelo foi revelada. A principal presença confirmada é a de Ronaldo, que vai atuar pela seleção brasileira de 2002 – Marcos vai jogar pelo Palmeiras de 1999, campeão da Libertadores. Por isso, o “Santo” já vislumbra um bom duelo com o amigo.
– Outro dia fui até a casa dele, estava fininho. Na TV ele parece gordão. Agora tem esse negócio do Medida Certa (quadro do programa Fantástico, da TV Globo, que tem a participação do jogador). Acho que ele está melhor agora do que quando estava no Corinthians – brincou o ídolo.

Confira abaixo a lista dos jogadores confirmados para a partida. Outros nomes podem se juntar à relação até o dia do jogo.

Palmeiras: Sérgio, Pedrinho, Arce, Rivarola, Cléber, Euller, Junior, Asprilla, Agnaldo Liz, César Sampaio, Paulo Nunes, Evair, Amaral, Tiago Silva, Dudu, Ademir da Guia, Neném, Edmundo, Oséas, Galeano, Leivinha, Tonhão, Rubens Júnior e Alex.

Seleção brasileira: Dida, Velloso, Edmílson, Roberto Carlos, Roque Júnior, Belletti, Cafu, Denílson, Ricardinho, Luizão, Ronaldo, Rivaldo, Djalminha, Antônio Carlos, Zé Roberto, Juninho Paulista e Edílson.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Alô, Felipão! Kaká volta a jogar, faz golaço, e Real Madrid goleia o Ajax


O mistão do Real Madrid parecia mais o time principal. Já classificado para as oitavas de final da Liga dos Campeões da Europa como segundo do Grupo D, o time merengue poupou alguns titulares para enfrentar o Ajax no Santiago Bernabeu, pela última rodada. Melhor para Kaká. Ao lado de Cristiano Ronaldo e Modric, ele voltou a começar um jogo após 34 dias, recebeu a braçadeira de capitão da equipe e teve boa atuação na vitória por 4 a 1, com direito a golaço em forma de recado para Felipão, apresentado há uma semana como novo técnico da seleção brasileira.

Kaka comemora gol do Real Madrid contra o Ajax (Foto: Agência Reuters) 
Como em 2006: Kaka repete golaço que fez contra a Croácia, na Copa do Mundo (Foto: Agência Reuters)

Foi o 28º gol de Kaká em jogos da Liga dos Campeões da Europa, ultrapassando Rivaldo e se tornando o maior artilheiro do Brasil no torneio. Cristiano Ronaldo e Callejón, duas vezes, também deixaram os seus nesta quarta-feira. O gol de CR7, o sétimo dele sobre o Ajax na história da competição, ainda quebrou recorde: ninguém nunca havia balançado a rede tantas vezes sobre uma mesma equipe neste campeonato. Boerrigter descontou para os holandeses.

O Real terminou com 11 pontos, três atrás do Borussia Dortmund. Já o Ajax, apesar da derrota, foi beneficiado com a derrota do Manchester City para o líder por 1 a 0. Com o resultado, os holandeses se mantiveram em terceiro lugar da chave, com quatro pontos, e garantiram a classificação para a Liga Europa.
No próximo dia 20 de dezembro, a Uefa irá sortear os confrontos das oitavas de final. O primeiro de cada grupo só poderá enfrentar os segundos colocados - desde que ele não seja do mesmo país. Haverá uma nova cerimônia antes das quartas de final para definir os futuros duelos.

CR7 e Kaká se entendem bem, e Modric faz a festa

Mesmo sem ambição na rodada, o mistão do Real queria mostrar vontade. Comandados por Modric, Kaká e Cristiano Ronaldo, os donos da casa não deram chance para a equipe holandesa. A rede balançou logo aos sete minutos, com Benzema em impedimento escorando cruzamento de Kaká. O bandeira salvou o Ajax no lance, e quatro minutos depois foi a vez da trave ajudar no chute à queima-roupa de Coentrão.

Mas a insistência não demorou a dar resultados. Aos 12 minutos, Modric fez um desarme de carrinho e armou o contra-ataque com um lançamento milimétrico para Benzema. Em posição duvidosa, o atacante saiu livre na área, mas teve dificuldade no domínio. Com o goleiro e dois zagueiros fechando seu ângulo, ele usou a cabeça, esperou a chegada de CR7 e só rolou para a conclusão certeira do craque português.
Destaque do primeiro tempo, Modric foi fundamental também para o segundo gol, aos 28.

 Com outro lançamento espetacular, dessa vez do campo de defesa, ele encontrou Callejón por trás da zaga holandesa. O meia dominou com estilo, com o bico da chuteira, e finalizou no cantinho, e a bola ainda bateu na trave antes de entrar. O massacre só não foi maior porque Vermeer não deixou. O goleiro defendeu as conclusões de Khedira e Modric no fim da etapa, e ainda contou com a sorte numa cobrança de falta de CR7, que desviou na barreira, mas não saiu muito da rota do arqueiro, que já tinha se jogado para o lado.

Pressionado, o Ajax curiosamente teve maior posse de bola nos primeiros 45 minutos, com 56% contra 44% do Real. Mas com passes de lado, o time pouco foi ao ataque e apareceu mais no primeiro tempo por um lance bizarro de Eriksen: após receber lançamento na esquerda, ela ganhou no corpo de Khedira e tinha uma avenida para avançar até a área. Só que a empolgação atrapalhou: na passada, ele se enrolou com a bola, que bateu em sua perna e parou, enquanto ele continuou a correr.

Cristiano Ronaldo Benzema gol Real Madrid (Foto: Reuters)
Kaká faz golaço, mas cansa e é substituído

Se o primeiro tempo já tinha sido bom para Kaká, que se entendeu bem com Cristiano Ronaldo pela esquerda, deu drible entre as pernas e arriscou lançamentos, a etapa final foi ainda melhor. Logo aos quatro minutos, o brasileiro recebeu de CR7 na entrada da área e chutou colocado, a bola beliscou a trave e entrou no cantinho de Vermeer, que sequer teve reação. Golaço que lembrou o que ele fez contra a Croácia, pela Copa do Mundo de 2006.

O placar quase virou goleada aos dez minutos. Varane surgiu pela direita e cruzou para Benzema, livre na pequena área, mas o atacante errou a cebaçada. E a punição veio em forma de gol do Ajax. Quatro minutos depois, Blind fez um lançamento para Hoesen na área. Adán saiu mal do gol, socou a bola nos pés de Boerrigter, que só teve o trabalho de empurrar para a rede.

O gol acordou o até então sonolento Ajax, que cresceu no jogo e esteve muito perto de fazer o segundo. Mas a má pontaria não ajudou. Aos 22, Hoesen recebeu sozinho na área, mas concluiu por cima da meta merengue. Sete minutos depois, foi a vez de Eriksen obrigar Adán a fazer grande defesa. Visivelmente cansado no decorrer da etapa final, Kaká foi substituído por José Rodríguez.

O Real passou por um período de pressão do Ajax, mas suportou as investidas dos holandeses até o fim. Nos minutos finais, Morata e Callejón, crias da base merengue, ainda mostraram fôlego e ampliaram o marcador. Após grande jogada de Morata pela lateral do campo, ele cruzou na medida para Callejón, sozinho, cabecear e definir a tranquila goleada.

Borussia Dortmund faz o feijão com arroz e bate o Manchester City 

No outro duelo da chave, o Borussia Dortmund confirmou seu favoritismo contra o lanterna Manchester Cit. Jogando em casa, no Westfalenstadion, os anfitriões jogaram para o gasto e venceram por 1 a 0, com gol de Schieber, aos 12 minutos do segundo tempo. A equipe alemã terminou a fase de grupos com 14 pontos. Já o time inglês, que ainda tinha esperança de terminar em terceiro para garantir uma vaga na Liga Europa, amargou o último lugar com só três pontos.

 Julian Schieber comemora gol do Borussia contra o Manchester City (Foto: Agência Reuters)

‘Império de Roman’: os mistérios do homem que transformou o Chelsea


A faixa estendida atrás de um dos gols do Stamford Bridge em todas as partidas define bem o Chelsea: “O Império de Roman”. Atual campeão europeu, o clube inglês completa nesta temporada o décimo ano de uma parceria que o tirou do escalão mediano do futebol inglês e elevou ao posto de potência mundial graças ao dinheiro de um russo que tem dois adjetivos diretamente atrelados ao seu nome: ousado e misterioso. Se em quase uma década o “imperador” Roman Abramovich já desembolsou mais de 2 bilhões de libras (quase R$ 7 bilhões) para obter sucesso nos gramados e expor seu clube como vitorioso mundo afora, ao mesmo tempo se esconde em uma personalidade extremamente reservada e rodeada de questionamentos e polêmicas.

Torcida Chelsea Abramovich (Foto: Cahê Mota / Globoesporte.com)O império de Roman Abramovich, diz a faixa da torcida do Chelsea (Foto: Cahê Mota / Globoesporte.com)
 
Empresário bem-sucedido no ramo de petróleo e gás na Rússia, Abramovich, de 46 anos, foi apontado pela revista Forbes, em 2012, como 50º homem mais rico do mundo, com fortuna avaliada em cerca de R$ 30 bilhões. O patrimônio foi alavancado, de acordo com muitos, graças a benefícios do governo Boris Yeltsin, na década de 90, quando chegou a ser preso por transações ilegais. A fortuna o levou ao futebol em meados de 2003, época em que resolveu fazer do Chelsea uma mistura de investimento e lazer. Mais do que retorno financeiro, a missão era clara: se tornar poderoso no badalado e glamoroso meio esportivo, livre do passado nebuloso.
 
Uma década depois, uma evidente história de sucesso foi escrita, mas que pode, logo após atingir a glória máxima, ter um de seus capítulos mais frustrantes definido nesta quarta-feira: pouco mais de seis meses depois de bater o Bayern de Munique e se sagrar campeão europeu, os Blues podem se tornar os primeiros detentores do troféu a serem eliminados na fase de grupos da Liga dos Campeões da Europa seguinte. Bastaria a equipe de Rafa Benítez não vencer o Nordsjaelland, no Stamford Bridge, ou o Juventus não perder para o Shakhtar, em Donetsk, pelo Grupo E.

O capítulo desta noite, porém, será apenas mais um em um livro repleto de casos de poder, dinheiro, questionamentos, vitórias e decisões abruptas, onde o protagonista sempre foi Roman Abramovich. Empresário sem limites, ao ponto de ter começado sua vida nos negócios vendendo gasolina roubada nas forças armadas soviéticas, ainda nos anos 80, o russo desembolsou mais de 100 milhões de libras para adquirir o Chelsea no começo da temporada 2003/2004. Foi quando teve início uma trajetória pautada em decisões individualistas e no poder aquisitivo, seja qual fosse o preço necessário a ser pago pelo sucesso.

Roman Abramovich Chelsea 2003 (Foto: Getty Images)Abramovich cumprimenta adolescentes torcedores do Chelsea após comprar o clube, em 2003 (Getty)
 
Logo na primeira temporada, o bilionário gastou outros 140 milhões de libras na compra de jogadores e levou o Chelsea ao vice-campeonato da Premier League, além de uma inédita semifinal da Liga dos Campeões. Os resultados, entretanto, não eram suficientes, e o que se viu nos anos seguintes foi um investimento cada vez maior atrelado às conquistas dentro de campo. Em nove temporadas, os Blues levantaram 12 troféus (três ingleses, quatro Copas da Inglaterra, duas Copas da Liga, duas Supercopas Inglesas e a Liga dos Campeões da Europa), enquanto Abramovich desembolsou mais de dois bilhões de libras entre reforços, salários, investimentos estruturais e rescisões de contratos. E o sucesso em campo não está diretamente atrelado ao econômico, uma vez que somente ao término da última temporada o clube terminou no azul pela primeira vez sob a “nova” direção.

Se investiu 650 milhões de libras em contratações e outros 1,2 bilhão em salários, o russo gastou ainda 70 milhões somente em rescisões contratuais de treinadores.
 
Para alcançar a glória máxima, no último dia 19 de maio, em Munique, contra o Bayern, nos pênaltis, Roman não poupou dinheiro e também não teve pena de quem ele acreditava ser um empecilho. Se investiu 650 milhões de libras em contratações e outros 1,2 bilhão em salários, o russo gastou ainda 70 milhões somente em rescisões contratuais de treinadores, deixando claro que seu apego ao Chelsea em nada significa o mesmo sentimento por quem lá passa. Comandante atual, o espanhol Rafa Benítez é o nono em número igual de temporadas na gestão Abramovich. E o comandante tem uma posição muito bem definida: interino até o fim da temporada. Frio e objetivo como um homem de negócios muitas vezes deve ser, o patrão tem uma meta: contratar Josep Guardiola em maio do próximo ano.

Fanatismo conquista torcedores

A postura centralizadora e autoritária, por sua vez, não torna Roman Abramovich uma figura antipática. Não ao menos para os torcedores do Chelsea. Gratos ao russo pela reviravolta dos últimos nove anos, quando levantaram mais troféus do que nos 98 anteriores de história (12 a 11), os Blues têm uma relação de adoração com o dono do clube, chegando até mesmo ao ponto de se apegarem aos seus poucos gestos públicos e afetivos, transformando-os em qualidades irrefutáveis.

Roman Abramovich Chelsea (Foto: AFP)Conquista da Liga dos Campeões fez a 'Era Abramovich' superar os 98 anos anteriores em títulos (Foto: AFP)
 
Primeiro dos grandes milionários a se meter no futebol - em atitude que se tornou comum na década seguinte -, Roman é visto pelos torcedores como um apaixonado pelo clube, como eles, o que o faz justificar toda e qualquer atitude intempestiva e surpreendente. O caso mais recente foi a demissão de Roberto Di Matteo, ídolo também como jogador, apenas seis meses após a conquista da Liga dos Campeões.
 
Ele muda bastante os treinadores, mas não por vaidade ou simplesmente por querer. Ele faz isso por tentar fazer o time jogar mais bonito."
Rick Glanvill, historiador do Chelsea

– Acho que, independentemente de qualquer coisa, temos que dar todo o apoio ao nosso dono. Sim, ele muda bastante os treinadores, mas não por vaidade ou simplesmente por querer. Ele faz isso por tentar fazer o time jogar mais bonito. Sob o comando dele, vencemos mais do que qualquer outro clube inglês nos últimos 10 anos. Vencemos a Champions League após anos de dor e lágrimas. Ninguém vai tirar de mim aquele momento em Munique

– defendeu o torcedor Jeremy Sice, em uma mistura de gratidão e devoção.
A verdade é que a presença constante em seu camarote no Stamford Bridge e as reações comedidas, mas espontâneas, durante as partidas cativam e vão ao encontro dos anseios dos torcedores, já satisfeitos com os milhões gastos. O investimento “por amor” é apontado até mesmo por Rick Glanvill, historiador oficial do clube, como fator principal da empatia entre “imperador” e súditos.

– Ele não é do tipo de dono que coloca o dinheiro esperando recebê-lo de volta. Roman Abramovich aprendeu a amar esse clube, o que naturalmente não existia há nove anos. Ele viu o filho dele chorando com o título da Champions League. Tenho certeza de que hoje o Chelsea está no sangue dele. A sinceridade dele a todo tempo nos conquistou. Vê-lo no estádio reagindo a cada jogada mostra que se tornou um torcedor de verdade.

Responsável pela construção do museu do clube, em Stamford Bridge, custeada por Abramovich, Glanvill é mais um dos que se envolve com o lado apaixonado do patrão e conta com orgulho um caso onde o dono foi “apenas” torcedor:

– Certa vez, quando disputamos um jogo classificatório da Champions League, ele estava em seu iate em algum lugar do oceano e deu um jeito de conseguir um satélite para acompanhar o jogo. Se eu tivesse dinheiro e estivesse nesta situação, faria o mesmo. Isso é o que mostra sentimento. Mostra que ele se tornou um dos nossos.
Iate Roman Abramovich Chelsea (Foto: Getty Images)Um dos três iates de Roman Abramovich, em Mônaco (Foto: Getty Images)
Di Matteo: 'Ele é um apaixonado pelo clube'

A compra de clubes tradicionais na Inglaterra costuma gerar reações distintas. Em Manchester, por exemplo, os fãs do City amam o Sheik Mansour, responsável por colocar o clube novamente na parte de cima da tabela, inclusive com o título da temporada passada, enquanto parte da torcida do United abriu mão da paixão no período em que os americanos da família Glazer estiverem no comando. Nos arredores do Stamford Bridge, nunca houve dúvidas: Abramovich sempre foi bem-vindo.

– Sempre que um bilionário que ninguém conhece compra um clube, há dúvidas. Mas desde o começo Roman Abramovich mostrou que faria as coisas do "jeito correto". Ele nunca mudou nada drasticamente. Além disso, quando um cara gasta mais de 100 milhões de libras na compra de jogadores, qual torcedor vai ser contra? (risos) Como não gostar? – se diverte Glanvill.

Roberto Di Matteo Chelsea (Foto: EFE)Roberto Di Matteo foi demitido recentemente do
comando do Chelsea: elogios ao 'Mister' (EFE)
 
Nem mesmos questionamentos sobre uma possível saída repentina do russo do clube preocupam o historiador. Em um verdadeiro caos financeiro na ocasião da venda, em 2003, o Chelsea atualmente é um clube capaz de andar com suas próprias pernas, na opinião de Rick.

– Não estávamos nada bem em 2003. O dinheiro era curtíssimo e provavelmente teríamos que nos desfazer de um bom elenco para sanar dívidas. Se olharmos para o que tínhamos e o que temos hoje... Sinceramente, se Mister Abramovich resolver ir embora, já vai ter deixado muito, mas muito mais do que tínhamos uma década atrás. Hoje somos um clube sensacional.

Até mesmo “vítimas” do russo, como Roberto Di Matteo, são incapazes de questionarem os benefícios para o clube. Pouco antes da demissão, o ex-treinador traçou um paralelo entre sua época de jogador, na década de 90, e a situação atual do Chelsea, e foi claro ao admitir que o antigo patrão abriu as portas do mundo.

– Após a chegada de Abramovich, o clube passou para um outro patamar. Passou a brigar pela Premier League e também em torneios internacionais com frequência. O investimento foi substancial para nos permitir competir em alto nível e contratar os melhores jogadores do mercado. A próxima temporada será a décima dessa longa parceria que melhora ano após ano. Ele é um apaixonado por este clube, e hoje vemos o Chelsea brigar por grandes troféus.

Terry Lampard Abramovich Chelsea (Foto: Getty Images)Terry e Lampard comemoram título inglês de 2005 com Roman Abramovich (Foto: Getty Images)
Mistério marca personalidade de Roman

Autoritário como chefe, fanático como torcedor, Abramovich ainda é um enigma fora dos portões do Stamford Bridge. Em quase uma década em Londres, jamais concedeu entrevistas para veículos britânicos e pouco se sabe sobre seus hábitos ou preferências. Nem mesmo o convívio na época da construção do museu foi capaz de fazer com que Rick Glanvill tirasse conclusões mais profundas.

Ninguém o conhece bem. A verdade, é que é um enigma: quem é ele? Eu não sei"
Simon Haydon, editor da AP

– Ele não é muito comunicativo, mas é amigável, apesar de ser bastante reservado.

Editor da AP, uma das principais agências de notícias do mundo, Simon Haydon acredita que, por toda visibilidade que atrai, o russo faz questão de se proteger ao máximo dos olhares externos. O jornalista, no entanto, garantiu que no meio empresarial Roman tem a agressividade como característica.

– Ninguém o conhece bem. A verdade, é que é um enigma: quem é ele? Eu não sei. Parece ser um pouco tímido, mas também sabemos que em termos de negócio trata-se de um homem muito agressivo. Nesse meio, não dá para ser suave, e ele sabe ser duro. Mister Abramovich nunca falou com a imprensa inglesa. Nunca. Ele procura se reservar ao máximo. Não posso falar sobre sua relação com a mídia russa, mas não tenho conhecimento de declarações sobre sua história com o Chelsea.

Nem mesmo os jogadores do elenco dos Blues têm tanto contato com Abramovich. Ao contrário do que é comum no Brasil, a presença em vestiário e concentração não é corriqueira, mas se torna mais constante quando, mesmo que sem palavras, o chefe tenta deixar seu recado. Recentemente, por exemplo, ele tem ficado próximo de Rafa Benítez, seja no CT de Cobham, na Grande Londres, ou em momentos antes e depois das partidas. O objetivo é dar respaldo e tranquilidade ao espanhol.
Roman Abramovich Chelsea (Foto: Getty Images)'Ele não é muito comunicativo, mas é amigável',
diz historiador do Chelsea (Foto: Getty Images)
 
Um dos líderes do elenco azul, o brasileiro David Luiz é um dos poucos que já tiveram a oportunidade de passar minutos a sós com o chefão e garante ter tido a melhor das impressões. A recordação mais marcante, porém, aconteceu no meio de todo grupo, quando, na Allianz Arena, em Munique, Abramovich se despiu da frieza russa para festejar o título da Champions League.

– Sempre que pode ele está próximo do clube. É um cara muito reservado, que tem o jeito dele de trabalhar, mas é fanático pelo Chelsea. É fácil perceber isso nos jogos, com as vibrações durante as partidas. Eu já tive algumas oportunidades de estar próximo e conversar com ele. Um momento que me marcou muito foi a presença dele no vestiário após a final da Champions. Vibrava como uma criança. Acho que era um grande sonho. Foi uma cena marcante. Também já tive conversas em uma sala, só eu e ele. Me perguntou o que poderia melhorar, o que se passava no dia a dia. Está sempre aberto a ouvir todo mundo, apesar de muita gente achar que ele faz tudo da forma dele.

Patrão ou torcedor, autoritário ou democrático, misterioso ou ousado, uma coisa é certa: em menos de uma década, Roman Abramovich se tornou o homem mais importante de um clube de 107 anos e que pode, graças aos seus bilhões, se tornar, no próximo dia 16 de dezembro, o maior do mundo.
 
Saiba algumas curiosidades sobre Roman Abramovich:

- Além do Chelsea, o russo já investiu também no CSKA Moscou, como patrocinador através de um de suas empresas, entre 2004 e 2006. No período, o clube venceu a Copa da Uefa, primeira e única competição continental conquistada por um clube do país. Após investigação de conflito de interesses por parte da Uefa, devido a sua relação com o Chelsea, o empresário abriu mão da parceria.

- Abramovich é ex-governador da região de Chukotka, na Rússia. O histórico político o deu imunidade durante a investigação de acusações de desvio de dinheiro e ações ilegais na época do governo Boris Yeltsin.

- Roman Abramovich comprou recentemente o famoso castelo do Conde Drácula, na Romênia, por 50 milhões de euros.
Roman Abramovich Chelsea (Foto: Getty Images)Roman Abramovich distribui autógrafos durante a Eurocopa 2012 (Foto: Getty Images)

- Entre 1992 e 1996, o russo abriu mais de 15 empresas na Rússia para investimento nos mais variados ramos. No fim desse período, em união com o também milionário Boris Berezovsky, Abramovich viu sua fortuna aumentar na época do governo do presidente Boris Yeltsin.

- Além de petróleo e gás, Roman Abramovich já investiu em ramos menos badalados, como patos de borracha, bonecas e brinquedos de plástico, chegando a ser preso em 1992 por transações ilegais.

- Informações dão conta que em 2007 o russo criou seu próprio "exército", formado por 40 homens, se tornando um dos empresários mais bem protegidos do mundo.

- Abramovich é fascinado por iates (tem três), barcos (também três) e aeronaves (tem um Boeing 767-33A/ER, um Falcon e outros três helicópteros).